Para iniciar este blog achei que não havia melhor assunto se não falar de onde venho. A freguesia onde moro, e desde já onde sempre morei, chama-se Marrazes. Esta frequesia de nome muito peculiar, é a maior do Conselho de Leiria, tendo em 2001 mais de vinte mil habitantes. Mais importande do que falar em população e números, é, na minha opinião, falar um pouco na História desta pacata terra.
Existem duas histórias acerca da origem da povoação.
A primeira é mais uma lenda do que a explicação da sua fundação. Alguns habitantes acreditam que o nome "Marrazes" deriva das "marras" dos barcos. Sim, barcos! Os antigos acreditam que aquando da sua fundação Marrazes, situada a cerca de 12km da costa, estava submersa pelo mar e que na povoação dos Marinheiros, pertencente hoje em dia à freguesia de que falo, viviam os marinheiros que apanhavam o peixe em Marrazes e as suas mulheres oravam à Nossa Senhora do Livramento, padroeira da povoação, para salvar os seus maridos das tempestades em alto mar. Esta lenda cai por terra ao fazer uma ligeira análise histórica.
A figura da Nossa Senhora só surgiu com a virgem Maria há 2000 anos atrás e o culto a ela associado apareceu ainda mais tarde, aproximadamente no século IX, pois antes a Igreja Católica não praticava o culto à mãe de Cristo. Há 2000 era impossível termos mar onde hoje em dia ele está a 12km de distância, apesar de já terem sido encontrados fósseis e vestígios de que um dia, neste local, existiu mar.
A segunda história relaccionada com a fundação desta freguesia, e na minha opinião, a que faz mais sentido, remonta à Idade Média, à data em que D. Afonso Henriques conquistou Leiria aos árabes e construiu o famoso castelo, hoje marco da cidade. Durante muito tempo Leiria recaíu nas mãos dos mouros e foi reconquistada, mas quando a cidade ficou definitivamente nas mãos lusitanas, os moçulmanos que cá habitavam só tinham três alternativas: fugir, ficar e ser morto ou ficar e converter-se ao cristianismo. Os que optaram pela terceira fixaram-se nas redindezas da cidade, nas Cortes, nos Pousos, na Barosa e em Marrazes. No entanto, e segundo se diz, os habitantes de Marrazes, alguns, continuaram a praticar o islamismo às escondidas, enquando se fingiam cristãos devotos no seu dia-a-dia. por esta razão, os habitantes deste local começaram a ser chamados "marroazes" e "marranos", que no português antigo significa "teimosos" e "porcos", sendo que está na origem do nome a contracção destas duas palavras
